Ao recrutarmos profissionais para fazerem parte da nossa equipe, tendemos a privilegiar suas competências técnicas, o conhecimento do negócio, o currículo escolar e as experiências anteriores. Tudo isso é importante, mas um conjunto de competências intangíveis está se tornando fundamental para o sucesso: atitudes, hábitos e crenças - enfim, os valores e o caráter das pessoas.
Se pensarmos bem, não adianta contratar técnicos excepcionais, MBAs graduados com louvor, gente com muita cancha no negócio, se essa pessoa jogar no time do “eu sozinho” e não souber trabalhar em equipe; se tiver dificuldades em se relacionar e não se comunicar bem; se for pessimista; ou, pior, se cometer deslizes tais como distorcer dados ou fizer “fofoca” no ambiente de trabalho.
Assim, a velha máxima que faz referência à “pessoa certa no lugar certo” continua válida na principal missão do líder em uma organização a de montar sua equipe. Quando o líder não investe o suficiente no recrutamento e na seleção, paga um alto preço depois: passa mais tempo administrando problemas causados por essas pessoas do que buscando oportunidades que o negócio poderia aproveitar. Mas escolher a pessoa certa no lugar certo precisa ser complementado por “no momento certo”. E mais: o líder deve sempre se preocupar não apenas em escolher, mas também em “ser a pessoa certa no lugar certo no momento certo”.
Se desconfiar que não é, o melhor que tem a fazer é mudar antes de ser mudado. A postura de privilegiar os valores das pessoas é particularmente útil nos momentos iniciais da formação do futuro líder. Assim, é ideal que pais, mães, professores e orientadores valorizem o caráter de seus filhos, alunos e pacientes, sempre considerando as atitudes desses com peso pelo menos semelhante ao que é dado ao desempenho de tarefas, às notas escolares e à competência técnica.
Quanto aos liderados, vale a pena seguir uma regra de ouro: preferiria líderes que inspiram pelo caráter e pelos valores àqueles que se notabilizam apenas pelo que sabem fazer. O “como” é tão importante quanto o “quê”. Atenção: não são apenas os líderes que têm o poder de escolher quem vai liderar. Os liderados também têm a liberdade de escolher quem de fato vai liderá-los - não estou dizendo chefiá-los ou comandá-los. Na maioria das vezes são os liderados que “escolhem” os líderes, aceitando-os ou não como tal.
E você, valoriza mais o caráter das pessoas ou o currículo que apresentam?




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Comentários
Amauri, bom dia.
Ótimo tema para discussão, afinal nossa cultura esta muito enraizada em focar no currículo, inclusive em processos seletivos, candidatos sendo descartados sem uma prévia visualização, apenas por não ter um desenvolvimento escolar pretendido, como uma pós gaduação.
Entendo o diferencial e as mudanças que uma boa pós graduação oferecem a quem tem esse privilégio, mas como comentas no tópico meu amigo Amauri, algumas competências intangíveis estão sendo deixadas de lado.
Ainda mais para posições de liderança, pois não tem MBA que mude ou molde o caráter de uma pessoa, afinal nenhuma empresa vive de imagens, de currículos…..as empresas vivem de pessoas.